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Sinais de alerta, diagnóstico e tratamento da dor de cabeça

A dor de cabeça é um quadro clínico muito democrático: é praticamente impossível encontrar um adulto que nunca tenha experimentado esse tipo de dor. As estatísticas apontam que 99% das mulheres e 94% dos homens sofrem ou já sofreram com o problema, pelo menos uma vez na vida. Por essa razão é tão importante haver uma data como a de hoje: 02 de Junho, o Dia Nacional de Combate à Cefaleia.

Há muito o que dizer, esclarecer e discutir sobre esse assunto. A começar pelo fato de que há mais de 200 tipos de cefaleia e que, naturalmente, problemas diferentes vêm de causas diferentes e exigem tratamentos diferentes.

Quando uma pessoa sofre de dores de cabeça com frequência e opta pela via automedicação, sem o devido diagnóstico e a devida orientação médica, os riscos de acabar mascarando problemas mais graves são grandes. Isso sem contar que o uso abusivo de analgésicos também tende a levar ao aparecimento da dor crônica, como efeito-rebote.

Qualquer dor de cabeça que seja forte o suficiente para atrapalhar as atividades do dia-dia ou que tenha uma duração superior a uma semana, já chama a nossa atenção como especialistas.

Há também algumas situações que, para nós, acendem o alerta. São as chamadas “red flags” (bandeiras vermelhas), pois se configuram como indicadores importantes da necessidade de investigarmos a presença de quadros mais graves. Entre outras, estão nesta lista queixas como:

  • Dor súbita em intensidade nunca sentida;
  • Desmaios e ou vômitos associados;
  • Déficit neurológico (alteração visual, motricidade ocular, alteração na fala ou força muscular);
  • Febre e alteração do nível de consciência (ficar muito sonolento).

Além do histórico clínico do paciente, dos seus sintomas e do exame físico no consultório, existe uma série de exames complementares que podemos solicitar, a depender de cada caso. Nesse universo, temos, por exemplo:

  • A tomografia, que é um exame que chamamos de “screening” (rastreio), que serve para investigar cefaleias agudas e descartar problemas que se evidenciam mais facilmente nesse tipo de exame de imagem, tais como sangramentoshidrocefaliatumores maioresfraturas, sinusites, etc;
  • A ressonância, que é um exame mais elaborado, que consegue ver problemas menores e geralmente é solicitado em cefaléias persistentes (crônicas), para descartarmos (ou identificarmos) tumores de menor escala (como os de hipófise), aneurismas, meningites (sinais indiretos), entre outros quadros.

Exames de imagem podem ser solicitados durante a investigação diagnóstica

A investigação diagnóstica da cefaleia pode ser longa e detalhada, havendo quadros que acabam por ser diagnosticados após a exclusão de outras patologias, como no caso da enxaqueca. As neuralgias do trigêmeo, as cefaleias tensionais, a cefaleia em salvas são outros tipos de cefaleias muito comuns.

Felizmente, nem sempre o problema é grave, mas ele sempre merece ser devidamente diagnosticado e tratado. Afinal, a dor está lá, é muito incômoda e pode ser muito incapacitante para o paciente.

Hoje em dia, temos um arsenal terapêutico muito grande para os diversos tipos de dores de cabeça existentes. Do tratamento medicamentoso às intervenções invasivas e mini-invasivas (infiltração com anestésicos, radiofrequência, cirurgia endoscópica, terapêutica com toxina botulínica, etc.), há sempre muito o que se fazer. Mas um plano de tratamento eficaz exige primeiramente um diagnóstico eficaz.

Por tudo isso, o primeiro passo para um tratamento eficaz da dor de cabeça é procurar ajuda profissional. Nada de ficar sofrendo em silêncio ou se automedicando. Converse com um especialista!

Dr. Luiz Rodrigo Marinho,
Neurocirurgião

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