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Entrevista sobre cefaleia para o programa “Falando Nisso”

Quando a mídia abre espaço para que profissionais de saúde possam levar esclarecimentos e orientações ao público, isso aumenta as chances de que informações seguras, relevantes e assertivas cheguem ao maior número possível de pessoas. Sempre que posso, atendo com muito gosto a esse tipo de solicitação. Foi, então, com grande satisfação, que participei do programa “Falando Nisso”, da Band Vale, no último dia 14, para falar de um tema que interessa a praticamente toda a população: a dor de cabeça.

Agradeço aos produtores pela sensibilidade de trazer esse tema para as suas pautas e por me convidarem para falar sobre o assunto. Na minha área de atuação (a Neurocirurgia), lidamos mais diretamente com o tratamento das chamadas cefaleias secundárias: aquelas que são resultantes de algum problema de base, como tumores, lesões, sangramentos, entre outras patologias instaladas no cérebro e/ou crânio.

Já as cefaleias primárias são aquelas nas quais a dor não é um sintoma resultante de uma outra patologia de base, mas sim a patologia em si. Disfunções nos neurotransmissores e nas estruturas nervosas podem levar a esses quadros. É o caso da enxaqueca, da cefaleia tensional e da cefaleia em salvas, por exemplo. Esses são quadros que podemos identificar no curso das nossas investigações diagnósticas, mas que, em geral, são tratadas pelos colegas neurologistas clínicos.

Sublinhe-se aqui: hoje existem tratamentos muito eficazes tanto para as cefaleias primárias quanto para as secundárias.

Quando se trata de uma cefaleia secundária, naturalmente, precisaremos identificar e tratar eficazmente a patologia de base. No caso dos tumores cerebrais, temos todo o tratamento convencional da área oncológica (fármacos, cirurgias, químio e radioterapia) e, em muitos casos, a alternativa de procedimentos minimamente invasivos (neuroendoscopias), em que a cirurgia para retirada do tumor é feita sem corte, com resultados muito positivos.

Já quando se trata de uma cefaleia primária, a identificação da patologia é a linha de partida para um plano de ação que pretenderá buscar o controle do quadro crônico. Em grande parte das vezes NÃO será uma única medicação ou um único procedimento que irá trazer o desejado alívio definitivo. Mas sim um conjunto de ações, com equipe e acompanhamento multidisciplinares, além de uma efetiva participação do paciente na observação dos seus gatilhos de dor e na mudança de hábitos.

Entretanto, um dos pontos em que eu mais insisto com os pacientes, sempre que tenho essa oportunidade, é o da necessidade de buscar ajuda especializada o quanto antes. Dor de cabeça recorrente (mais de três vezes por semana) exige investigação diagnóstica detalhada para uma maior eficácia e segurança no plano de tratamento proposto.

ALGUMAS DICAS ESSENCIAIS

  • Se a dor de cabeça é recorrente (mais de 3 vezes por semana) procure um neurologista;
  • NÃO tente se autodiagnosticar. A sintomatologia de quadros benignos e malignos pode ser parecida. A avaliação médica é a forma mais segura de obter um diagnóstico correto;
  • Normalmente, além da anamnese e do exame clínico em consultório, precisamos realizar alguns exames complementares para fechar um diagnóstico com segurança.

CEFALEIAS PRIMÁRIAS X SECUNDÁRIAS

– Os exames laboratoriais e de imagem, em geral, apontam com eficiência a presença da patologia de base que está dando origem a uma cefaleia secundária (tais como tumores, sangramentos, sinusites, lesões cerebrais, etc.);

– Nesses casos, o desaparecimento do sintoma (a dor de cabeça) se dará com o tratamento da patologia que está originando o quadro. E o tratamento, naturalmente, irá variar conforme a doença identificada.

– Já o diagnóstico das cefaleias primárias (como a enxaqueca, a cefaleia tensional e a cefaleia em salvas) é clínico, a partir da constatação de normalidade em todos os exames laboratoriais e de imagens, e do acompanhamento do histórico e dos padrões de dor do paciente;

– O tratamento desses quadros geralmente exige múltiplas abordagens, que podem envolver: uso de medicações, realização de procedimentos (como aplicação de toxina botulínica ou infiltrações com anestésicos) e mudanças de hábitos e de fatores ambientais que forem identificados como gatilhos para as crises;

– Estresse, depressão, ansiedade, sedentarismo, alimentação, tabagismo, questões hormonais, condições climáticas, consumo de álcool, obesidade, hidratação deficiente e até o abuso de analgésicos, são alguns dos fatores que costumam influenciar nos quadros crônicos de dor de cabeça (cefaleias primárias).

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