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Alterações no organismo causadas pela dor crônica aumentam riscos de depressão

Além de todos os incômodos e limitações que traz para a vida do paciente, a dor crônica, muitas vezes, leva também ao surgimento de um quadro depressivo. Alterações bioquímicas estão envolvidas nesse processo.

Ao conviver com uma dor constante ou muito recorrente, o organismo tende a vivenciar alterações na liberação e no funcionamento dos neurotransmissores – o que pode ter implicações diretas em alterações de humor.

Essa é uma das importantes razões pelas quais enfatizamos tanto a importância de se identificar e de se tratar assertivamente alguma dor persistente.

No meu campo de atuação, lido com inúmeros tipos de dor: dores neuropáticas, diversos tipos de cefaleias, a dor oncológica, dores oriundas de patologias da coluna vertebral, etc. Diante desses quadros, não é raro ouvirmos falar que alguém “se entregou à doença”. Mas, o aparente desânimo, a desmotivação ou a tristeza podem ser nada mais, nada menos, do que a evolução de um quadro doloroso crônico, que desencadeou também a depressão.

Sendo assim, quaisquer intervenções que propiciem a melhora da dor ou que ofereçam condições para que o paciente se sinta mais confortável, contribuem diretamente para a superação do estado depressivo.

Entretanto, algumas situações chegam a exigir mesmo uma abordagem multidisciplinar. Além do tratamento da dor propriamente dita – e da doença de base, se houver -, poderá ser necessário também um suporte psicológico ou mesmo psiquiátrico.

Isso prova como o carácter individualizado de um plano de tratamento é importante. Receitas “milagrosas” – muitas vezes compartilhadas on-line, envolvendo desde “chazinhos” até potentes medicações – que funcionaram para um, podem não funcionar para outro, por causa de um histórico clínico completamente diferente. Isso sem contar todos os outros riscos envolvidos na automedicação!

CAMINHO INVERSO

Vale ressaltar ainda que, numa via contrária, o paciente que já traz um histórico anterior de depressão ou apresente de antemão um perfil psicológico depressivo, tem maior chance de desenvolver um quadro de dor crônica.

Ou seja, tanto a dor crônica pode levar ao desenvolvimento da depressão, quanto um quadro depressivo propicia condições mais favoráveis ao surgimento de dores – principalmente as patologias classificadas como psicossomáticas.

Entretanto, seja a dor anterior ou posterior à depressão, tem sido cada vez mais comum o entendimento sobre a importância de uma abordagem multidisciplinar aos pacientes.

Sempre falamos que o arsenal de tratamento é grande e muito variado hoje e, muitas vezes, a vitória na luta contra uma dor não é alcançada com uma única arma, mas com todo um processo com ações em várias frentes: medicações, procedimentos mini-invasivos, terapias de reabilitação física e terapias de suporte psicológico e/ou psiquiátrico.

O plano de ação, naturalmente, irá depender de cada caso. Uma boa investigação diagnóstica é o primeiro passo prático nesse sentido. Será uma jornada desafiadora, mas aliados certamente não faltarão pelo caminho!

Dr Luiz Rodrigo Marinho,
Neurocirurgião

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